A aplicação do asfalto borracha, tanto em misturas asfálticas a quente (concreto asfáltico) quanto em tratamentos superficiais, exige considerações e adaptações específicas devido à sua alta viscosidade em comparação com o cimento asfáltico convencional (CAP) ou asfaltos modificados por polímeros elastoméricos (CAP modificados por polímeros), que possuem menor viscosidade. Essas diferenças impactam diretamente as temperaturas de manuseio, os equipamentos e os procedimentos de campo.
Aplicação em Concreto Asfáltico com Asfalto Borracha
O concreto asfáltico com asfalto borracha é produzido em usinas de asfalto e aplicado por vibroacabadoras, seguido de compactação. As principais diferenças em relação ao asfalto convencional são:
- Temperaturas Elevadas: Devido à maior viscosidade do asfalto borracha, as temperaturas de mistura na usina e de compactação em campo são significativamente mais altas. Enquanto um CAP convencional pode ser misturado em torno de 150-160°C e compactado a 130-140°C, o asfalto borracha pode exigir temperaturas de mistura na faixa de 170-190°C e compactação a 150-170°C. Manter essas temperaturas é crucial para garantir a trabalhabilidade da mistura e atingir a densidade de compactação desejada [1].
- Equipamentos Adaptados: Conforme mencionado anteriormente, usinas de asfalto devem ter sistemas de aquecimento mais robustos e bombas capazes de lidar com a alta viscosidade do ligante. Vibroacabadoras com mesas aquecidas e rolos compactadores mais pesados e eficientes são necessários para garantir um espalhamento uniforme e uma compactação adequada da mistura mais rígida.
- Tempo de Trabalhabilidade Reduzido: A mistura com asfalto borracha tende a resfriar mais rapidamente devido às temperaturas iniciais mais elevadas e à sua composição. Isso implica em um tempo de transporte mais curto e uma janela de compactação mais restrita, exigindo maior agilidade e coordenação da equipe de pavimentação.
- Compactação: A compactação é mais desafiadora devido à rigidez da mistura. É fundamental aplicar o esforço de compactação adequado e no momento certo para evitar a fissuração da massa asfáltica e garantir a densidade especificada. O uso de rolos vibratórios com configurações otimizadas é essencial
Aplicação em Tratamento Superficial a Quente com Asfalto Borracha
Os tratamentos superficiais a quente com asfalto borracha, como o tipo AB-22, também apresentam particularidades em sua aplicação:
- Temperatura de Espargimento: A alta viscosidade do AB-22 exige temperaturas de espargimento mais elevadas do que asfalto convencional ou polímero. O caminhão espargidor deve ser capaz de aquecer e manter o ligante na temperatura ideal (que pode ser superior a 180°C) para garantir uma pulverização uniforme e uma boa aderência à superfície existente [2].
- Equipamentos Especializados: O espargidor deve ser equipado com bicos e bombas que possam lidar com a viscosidade do asfalto borracha, garantindo uma taxa de aplicação precisa e homogênea. A calibração do equipamento é ainda mais crítica para evitar excessos ou deficiências na aplicação do ligante.
- Cobertura de Agregados: Após o espargimento do asfalto borracha, a cobertura com agregados deve ser realizada imediatamente. A alta viscosidade do ligante faz com que ele resfrie e perca a capacidade de molhar os agregados mais rapidamente. A uniformidade na distribuição dos agregados e a compactação imediata com rolos de pneus são cruciais para o embutimento e a retenção dos agregados, evitando o arrancamento prematuro.
- Cura e Liberação ao Tráfego: O tempo de cura do tratamento superficial com asfalto borracha pode ser diferente do asfalto convencional. É importante seguir as recomendações do fabricante e da especificação para a liberação ao tráfego, a fim de evitar danos à camada recém-aplicada.
Em ambos os casos, a experiência da equipe de campo, o treinamento adequado e a aderência rigorosa aos procedimentos e especificações são fundamentais para o sucesso da aplicação do asfalto borracha, aproveitando ao máximo suas propriedades superiores de desempenho.